
De Milton Santos
Por Daniel Ribas
Nesta obra, o geógrafo Milton Santos defende a idéia de que é preciso uma nova interpretação do mundo contemporâneo, uma análise multidisciplinar, que tenha condições de destacar a ideologia na produção da história, além de mostrar os limites do seu discurso frente à realidade vivida pela maioria dos países do mundo. A informação e o dinheiro acabaram por se tornar vilões, à medida em que a maior parte da população não tem acesso a ambos. São os pilares de uma situação em que o progresso técnico é aproveitado por um pequeno número de atores globais em seu benefício exclusivo. Resultado - aprofundamento da competitividade, a confusão dos espíritos e o empobrecimento crescente das massas, enquanto os governos não são capazes de regular a vida coletiva. Apesar disso, reconhece o começo de uma evolução positiva nas pequenas reações que ocorrem na Ásia, África e América Latina. Talvez pode ser este o caminho que conduzirá ao estabelecimento de uma outra globalização. A proposta é levar uma mensagem de esperança na construção de um novo universalismo, menos excludente.
Ele nos aponta para um mundo de difícil percepção por conta da confusão reinante que nos tem levado à perplexidade. Portanto, toma para análise a realidade relacional do ser humano, e a esta realidade relacional perversa atribui os males revelados pelo território. Não aceita explicações mecanicistas pelo seu caráter insuficiente. Atribuindo ao desenrolar da história, capitaneada por determinados segmentos da sociedade, os males que tornam difícil a vida da maioria das mulheres e dos homens. Coloca na base deste processo confuso a tirania do dinheiro e da informação, transcende a Marx, e o dinheiro passa a produzir dinheiro, dominando o mundo da produção de mercadorias. Especulação, financeirização. A globalização é feita menor, sob a égide dos bancos e dos banqueiros, criando uma fábrica de perversidades. “O desemprego crescente torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes
A originalidade do autor se dispõe de forma atual, compreendendo também uma serie de disposições sobre artigos e conferências diversas.
O autor pretende, portanto, retratar o ser da sociedade globalizada social mostrando um dever ser de uma nova globalização, essa mais humanizada.
A discussão do papel da ideologia no atual sistema global tem importância capital no livro, isso garante também uma ênfase no papel da política, visto que essa se define como a “arte de pensar as mudanças e de criar as condições para torná-las efetivas”.
O autor faz uma profecia de um futuro de mudanças provindas de baixo para cima, onde o intelectual e seu pensamento livre desempenharão papel substancial nas próximas revoluções dos paradigmas mundiais.
A crítica recai ainda sobre a atual globalização com sua tendência ao tecnicismo e mecanização, levando a uma desumanização e a um progressivo domínio do capital perante a vida social ou pessoal.
Daí a sugestão de três vias de globalização para uma visão crítica da mesma, no intuito de revisá-la e reconstruí-la: A primeira seria a globalização como fábula; a segunda como perversidade; e a terceira como uma outra globalização, a do dever ser.
A primeira tentando mostrar os conceitos e ideologias da globalização atual no sentido de legitimar a si mesma. A segunda visando uma análise e entendimento das inúmeras e progressivas desigualdades e perversidades criadas pela globalização que se diz integradora e homogeneizadora. Já a ultima traz um conceito novo de globalização, através de uma integração real, social e humanitária, na qual as desigualdades se amenizariam, o tecnicismo ou o capital não se sobreporiam ao âmbito individual ou social, mas se dariam de forma inteligente e sustentável. Assim, não seria necessária a subjugação do ser humano, que teria a tecnologia trabalhando em seu favor, e não em favor do capital favorecedor de uma minoria.
A globalização atual não é irreversível
A mentalidade corrente no mundo, hoje, é de que a globalização é um processo que não poderia ser revertido e que o cenário atual é imutável.
Isso se deve ao fato de a sociedade estar dominada por uma concepção contaminada pela ideologia que predomina em nossa sociedade.
No entanto se podem fechar os horizontes analisando somente aquilo que predomina e nossa realidade. É necessário que se preste atenção nas perceptivas futuras, naquilo que pode vir a ser a nova realidade.
A história apenas começa
Antes havia uma história fragmentada, com repúdio a qualquer forma de diferenças das sociedades entre si.
A nova tendência é de uma miscigenação cultural entre as diversas nações que se relacionando entre si adquirem respeito umas pelas outras, aceitando as diferenças e até mesmo incorporando algumas delas entre si.
Deste modo brota uma nova consciência de ser do mundo, onde o mundo todo parece próximo de cada individuo e todos se sentem interligados. A Internet é um dos maiores exemplos desta interação cultural.
Espera-se uma grande mutação na história da humanidade que talvez traga uma reversão nesse processo de globalização desenfreado. Essa talvez introduza uma forma de pensar mais humanitária na consciência e na filosofia do homem.
Por Daniel Ribas
Nesta obra, o geógrafo Milton Santos defende a idéia de que é preciso uma nova interpretação do mundo contemporâneo, uma análise multidisciplinar, que tenha condições de destacar a ideologia na produção da história, além de mostrar os limites do seu discurso frente à realidade vivida pela maioria dos países do mundo. A informação e o dinheiro acabaram por se tornar vilões, à medida em que a maior parte da população não tem acesso a ambos. São os pilares de uma situação em que o progresso técnico é aproveitado por um pequeno número de atores globais em seu benefício exclusivo. Resultado - aprofundamento da competitividade, a confusão dos espíritos e o empobrecimento crescente das massas, enquanto os governos não são capazes de regular a vida coletiva. Apesar disso, reconhece o começo de uma evolução positiva nas pequenas reações que ocorrem na Ásia, África e América Latina. Talvez pode ser este o caminho que conduzirá ao estabelecimento de uma outra globalização. A proposta é levar uma mensagem de esperança na construção de um novo universalismo, menos excludente.
Ele nos aponta para um mundo de difícil percepção por conta da confusão reinante que nos tem levado à perplexidade. Portanto, toma para análise a realidade relacional do ser humano, e a esta realidade relacional perversa atribui os males revelados pelo território. Não aceita explicações mecanicistas pelo seu caráter insuficiente. Atribuindo ao desenrolar da história, capitaneada por determinados segmentos da sociedade, os males que tornam difícil a vida da maioria das mulheres e dos homens. Coloca na base deste processo confuso a tirania do dinheiro e da informação, transcende a Marx, e o dinheiro passa a produzir dinheiro, dominando o mundo da produção de mercadorias. Especulação, financeirização. A globalização é feita menor, sob a égide dos bancos e dos banqueiros, criando uma fábrica de perversidades. “O desemprego crescente torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes
A originalidade do autor se dispõe de forma atual, compreendendo também uma serie de disposições sobre artigos e conferências diversas.
O autor pretende, portanto, retratar o ser da sociedade globalizada social mostrando um dever ser de uma nova globalização, essa mais humanizada.
A discussão do papel da ideologia no atual sistema global tem importância capital no livro, isso garante também uma ênfase no papel da política, visto que essa se define como a “arte de pensar as mudanças e de criar as condições para torná-las efetivas”.
O autor faz uma profecia de um futuro de mudanças provindas de baixo para cima, onde o intelectual e seu pensamento livre desempenharão papel substancial nas próximas revoluções dos paradigmas mundiais.
A crítica recai ainda sobre a atual globalização com sua tendência ao tecnicismo e mecanização, levando a uma desumanização e a um progressivo domínio do capital perante a vida social ou pessoal.
Daí a sugestão de três vias de globalização para uma visão crítica da mesma, no intuito de revisá-la e reconstruí-la: A primeira seria a globalização como fábula; a segunda como perversidade; e a terceira como uma outra globalização, a do dever ser.
A primeira tentando mostrar os conceitos e ideologias da globalização atual no sentido de legitimar a si mesma. A segunda visando uma análise e entendimento das inúmeras e progressivas desigualdades e perversidades criadas pela globalização que se diz integradora e homogeneizadora. Já a ultima traz um conceito novo de globalização, através de uma integração real, social e humanitária, na qual as desigualdades se amenizariam, o tecnicismo ou o capital não se sobreporiam ao âmbito individual ou social, mas se dariam de forma inteligente e sustentável. Assim, não seria necessária a subjugação do ser humano, que teria a tecnologia trabalhando em seu favor, e não em favor do capital favorecedor de uma minoria.
A globalização atual não é irreversível
A mentalidade corrente no mundo, hoje, é de que a globalização é um processo que não poderia ser revertido e que o cenário atual é imutável.
Isso se deve ao fato de a sociedade estar dominada por uma concepção contaminada pela ideologia que predomina em nossa sociedade.
No entanto se podem fechar os horizontes analisando somente aquilo que predomina e nossa realidade. É necessário que se preste atenção nas perceptivas futuras, naquilo que pode vir a ser a nova realidade.
A história apenas começa
Antes havia uma história fragmentada, com repúdio a qualquer forma de diferenças das sociedades entre si.
A nova tendência é de uma miscigenação cultural entre as diversas nações que se relacionando entre si adquirem respeito umas pelas outras, aceitando as diferenças e até mesmo incorporando algumas delas entre si.
Deste modo brota uma nova consciência de ser do mundo, onde o mundo todo parece próximo de cada individuo e todos se sentem interligados. A Internet é um dos maiores exemplos desta interação cultural.
Espera-se uma grande mutação na história da humanidade que talvez traga uma reversão nesse processo de globalização desenfreado. Essa talvez introduza uma forma de pensar mais humanitária na consciência e na filosofia do homem.

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