Por
Rafael Dall’Agnol, Dr.
1. Introdução
“As manifestações bem sucedidas não são necessariamente as que mobilizam o maior numero de pessoas, mas as que atraem maior interesse entre os jornalistas. Exagerando apenas um pouco, poder-se-ia dizer que cinqüenta sujeitos inteligentes que conseguem obter cinco minutos na TV para um happening bem sucedido podem produzir um efeito político comparável ao de meio milhão de manifestantes”.
(Barnet, 1981)
Pode-se dizer que a mundialização do nosso planeta é a sua globalização em sentido mais amplo, cujos reflexos se fazem sentir nos aspectos mais diversos de nossa vida.
O mundo cada vez mais está se tornando um todo, a informação circula on line pelo mundo, aliás, tudo circula quase que on line pelo mundo: alimentos, roupas, automóveis, eletro-eletrônicos, pessoas...
A informação, como vê-se a seguir, nunca foi tão globalizada.
As circunstâncias atuais parecem indicar que a globalização, principalmente, da economia, com todas as suas conseqüências sociais, ambientais e culturais, é um fenômeno que, no mínimo, irá durar. O fim da bipolaridade ideológica no cenário internacional, a saturação dos mercados dos países mais ricos e a ação dos meios de comunicação, aliados a um crescente fortalecimento do poder das corporações e a inversa redução do poder estatal pelas insistentes e constantes privatizações (pelo menos nos países que não constituem potências de primeira ordem) são apenas alguns dos fatores que permitem esse prognóstico.
Está havendo claramente uma redistribuição das funções econômicas, sociais, ambientais e quiçá culturais no mundo, disseca-se no decorrer suas conseqüências.
2. A Humanidade em Produção na Era Planetária
Um mesmo produto final é feito com materiais, peças e componentes produzidos em várias partes do planeta.
Produzem-se os componentes onde os custos são mais adequados. Como a produção de componentes é feita em escala global, alimentando indústrias de montagem em várias partes do mundo, pequenas variações de custos produzem, no final, notáveis resultados financeiros, como se vê em outro tópico especial.
Tem-se ai exposto o desenvolvimento técnico-econômico que torna insustentável a vida no planeta; e na vivência da era planetária acaba por cada vez mais ressaltar os contrastes mundiais.
3. O Circuito Planetário do Conforto X O Circuito Planetário da Miséria
Nenhum homem faminto e sóbrio pode ser convencido a gastar o seu último dólar em outra coisa que não comida. Mas uma pessoa bem alimentada, bem vestida, bem abrigada e em tudo mais bem cuidada pode ser convencida a escolher entre um barbeador e uma escova de dentes elétrica.
(Galbraith, 1974)
Na aldeia global em que vivemos fica cada vez mais fácil nos comunicarmos e nos conectarmos com o mundo, o telefone celular está em todas as esquinas, os Satélites estão no espaço, TV a cabo, Internet, Internet 2, etc; tudo isso coloca um fim as distâncias e acaba por aproximar e unir as pessoas; certo ?
Não, errado !
Toda esta modernidade e tecnologia acaba por afastar as pessoas cada vez mais, afasta definitivamente as classes sociais.
Vamos pegar dois meninos de idades escolares idênticas, o primeiro morador de uma próspera cidade do interior da Inglaterra, e o segundo filho de bóias-frias do interior do Ceará, no Brasil.
O primeiro após a sua jornada escolar vai para a sua casa e senta-se em frente de seu Pentium 900, 128 Mb, Internet, DVD, o “escambau” e começa a fazer seu dever de casa com o auxílio da tecnologia MMX; já nosso segundo personagem quanto chega ao rancho de sua família, feito de modo sofrido, de paredes de barro e chão batido, pega a lamparina a querosene (eletricidade nem pensar: “é coisa de primeiro mundo”, lhe disse o seu pai) e a sua velha cartilha escolar, que outrora já havia pertencido ao seu irmão mais velho (que por sua vez já abandonou a escola) e agora dedica o resto de suas forças de seu corpo desnutrido para realizar seu “dever” escolar.
Mas agora me responda: qual dos dois meninos pensa mais? Qual dará maior valor ao fato de já saber escrever a graça que lhe deram?
A mundialização por muitas vezes torna árduo o caminho à sabedoria.
Não há tempo para estudar, a cana e o sisal esperam o nosso menino do “terceiro mundo”, a fome está o tempo todo ao lado, o trabalho é mais importante neste instante para se sobreviver; afinal de contas temos que alimentar e vestir o “menino Europeu”.
Vemos então que a tecnologia que falamos anteriormente é concentrada em uma minoria que possui estudo e capital. O capital sempre será bem empregado, colaborando com a cavalgada cada vez mais incontrolável do capitalismo.
O pobre e o miserável podem ver tudo, mas não irão entender nada, pois a eles só restou a luta pela sobrevivência no cenário uno que se encaminha nossa Terra, estão carentes de “educação”.
Acaba a realidade da Aldeia global sendo uma ilusão de uma minoria comodista que não se preocupa com as desigualdades sociais.
Social é a união de classes, mas o que fazer quando as próprias classes se acomodam ao ponto de ficarem passivas atrás das telas dos televisores e dos computadores?
3. E o Século XX...
3.1 A evolução para a morte e a morte ecológica pela evolução:
(Informação globalizada?)
A economia de guerra proporciona abrigos confortáveis para dezenas de milhares de burocratas com e sem uniforme militar que vão para o escritório todo dia construir armas nucleares ou planejar um 0guerra nuclear, milhões de trabalhadores cujo emprego depende do sistema de trerrorismo nuclear; cientistas e engenheiros contratados para buscar aqula “inovação tecnológica” final que pode oferecer segurança total; fornecedores que não querem abrir mão lucros fáceis; intelectuais guerreiros que vendem ameaças e bendizem guerras. (Barnet, 1981) .
Para renomado historiador Eric Hobsbawm nosso universo nasceu há 15 bilhões de anos, numa maciça superexplosão, e, segundo as especulações cosmológicas pode acabar de maneira igualmente dramática.
Ao longo do século XX, a globalização do capital foi conduzindo à globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo.
Isso deveu-se não apenas ao progresso tecnológico, intrínseco à Revolução Industrial, mas - e sobretudo - ao imperativo dos negócios. A tremenda crise de 1929 teve tamanha amplitude justamente por ser resultado de um mundo globalizado, ou seja, ocidentalizado, face à expansão do Capitalismo.
E o papel da informação mundializada foi decisivo na mundialização do pânico.
Ao entrarmos nos anos 80/90, o Capitalismo, definitivamente hegemônico com a ruína do chamado Socialismo Real, ingressou na etapa de sua total euforia triunfalista, sob o rótulo de Neo-Liberalismo. Tais são os nossos tempos de palavras perfumadas: reengenharia, privatização, economia de mercado, modernidade e - metáfora do imperialismo - globalização. A classe trabalhadora, debilitada por causa do desemprego, resultante do maciço investimento tecnológico, ou está jogada no desamparo , ou foi absorvida pelo setor de serviços, uma economia fluida e que não permite a formação de uma consciência de classe. O desemprego e o sucateamento das conquistas sociais de outros tempos, duramente obtidas, geram a insegurança coletiva com todas as suas mazelas, em particular, o sentimento de impotência, a violência, a tribalização e as alienações de fundo místico ou similares. No momento presente, inexistem abordagens racionais e projetos alternativos para as misérias sociais, o que alimenta irracionalismos à solta.
A informação mundializada de nossos dias não é exatamente troca: é a sutil imposição da hegemonia ideológica das elites.
Cria a aparência de semelhança num mundo heterogêneo - em qualquer lugar, vemos o mesmo McDonald`s, o mesmo Ford Motors, a mesma Mitsubishi, a mesma Shell, a mesma Siemens. A mesma informação para fabricar os mesmos informados. Massificação da informação na era do consumo seletivo.
Via informação, as elites (por que não dizer: classes dominantes?) controlam os negócios, fixam regras civilizadas para suas competições e concorrências e vendem a imagem de um mundo anti-séptico, eficiente e envernizado.
A alta tecnologia, que deveria servir à felicidade coletiva, está servindo a exclusão da maioria. Assim, não adianta muito exaltar as conquistas tecnológicas crescentes - importa questionar a que - e a quem - elas servem. A informação global é a manipulação da informação para servir aos que controlam a economia global. E controle é dominação. Paralelamente à exclusão social, temos o individualismo narcisístico, a ideologia da humanidade descartável, o que favorece a cultura do efêmero, do transitório - da moda. De resto, se o trabalho foi tornado desimportante no imaginário social, ofuscado pelo brilho da tecnologia e das propagandas que escondem o trabalho social detrás de um produto lustroso, pronto para ser consumido, nada mais lógico que desvalorizar o trabalhador - e, por extensão, a própria condição humana. Ou será possível desligar trabalho e humanidade?
É a serviço do interesse de minorias que está a globalização da informação. Ela difunde modas e beneficia o consumo rápido do descartável - e o modismo frenético e desenfreado é imperativo às grandes empresas.
4. A Globalização e o Meio Ambiente na Era Planetária
“Haverá escassez de viveres”
(Mateus, 24:7)
Os impactos da globalização sobre o meio ambiente decorrem principalmente de seus efeitos sobre os sistemas produtivos e sobre os hábitos de consumo das populações.
O meio ambiente, em todos os seus componentes, tem sido e continuará cada vez mais sendo afetado pelo processo de globalização.
Os fatores que implicam os custos de produção incluem as exigências ambientais do país em que está instalada a fábrica. Este fato tem provocado em muitos casos um processo de "migração" industrial. Indústrias são rapidamente montadas em locais onde fatores como disponibilidade de mão-de-obra, salários, impostos, facilidades de transporte e exigências ambientais, entre outros, permitem a otimização de custos
Outro fator que tem exercido pressão negativa sobre o meio ambiente e que tem crescido com a globalização é o comércio internacional de produtos naturais, como madeiras nobres e derivados de animais. Este comércio tem provocado sérios danos ao meio ambiente e colocado em risco a preservação de ecossistemas inteiros.
A existência de um mercado de dimensões globais, com poder aquisitivo elevado e gostos sofisticados, é responsável por boa parte do avanço da devastação das florestas tropicais e equatoriais na Malásia, Indonésia, África e, mais recentemente, na América do Sul.
A tradicional medicina chinesa, em cuja clientela se incluem ricos de todo o mundo, estimula a caça de exemplares remanescentes de tigres, rinocerontes e outros animais em vias de extinção. Mercados globalizados facilitam o trânsito dessas mercadorias, cujos altos preços estimulam populações tradicionais a cometerem, inocentemente, crimes contra a natureza.
Na agricultura e na pecuária, a facilidade de importação e exportação pode levar ao uso, em países com legislação ambiental pouco restritiva ou fiscalização deficiente, de produtos químicos e técnicas lesivas ao meio ambiente, mas que proporcionam elevada produtividade a custos baixos. É o caso, por exemplo, de determinados agrotóxicos que, mesmo retirados de uso em países mais desenvolvidos, continuam a ser utilizados em países onde não existem sistemas eficientes de registro e controle. Os produtos agrícolas e pecuários fabricados graças a esses insumos irão concorrer deslealmente com a produção de outros países.
4.1 Mas nem tudo é negativo para o Meio Ambiente na Era Planetária
Mas a globalização oferece também perspectivas positivas para o meio ambiente. Até pouco tempo era comum a manutenção, até por empresas multinacionais, de tecnologias ultrapassadas em países mais pobres e com consumidores menos exigentes.
A escala global de produção tem tornado desinteressante, sob o ponto de vista econômico, esta prática. É o caso, por exemplo, dos automóveis brasileiros. Enquanto a injeção eletrônica era equipamento comum na maior parte do mundo, por aqui fabricavam-se motores carburados, de baixa eficiência e com elevados índices de emissão de poluentes. Com a abertura do mercado brasileiro aos automóveis importados, ocorrida no início desta década, a indústria automobilística aqui instalada teve que se mover. Rapidamente, passou-se a utilizar os mesmos motores e os mesmos modelos de carrocerias usadas nos países de origem das montadoras. É claro que isto causou impacto sobre a indústria nacional de autopeças, pois uma grande quantidade de componentes, principalmente os mais ligados à eletrônica, passaram a ser importados, o que antes não era possível, dado o caráter fechado que até então dominava o nosso mercado interno.
Os efeitos sobre a emissão de poluentes dos veículos foi notável. Os efeitos não são ainda notados na qualidade do ar das grandes cidades, porque a maior parte da frota de veículos em circulação é antiga, com sistemas precários de regulagem de motores.
O mesmo efeito sentido na indústria automobilística estende-se a uma gama de outros produtos, como os eletrodomésticos. A globalização da produção industrial está levando à rápida substituição do CFC, em refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, por gases que não afetam a camada de ozônio. Isto está ocorrendo em todos os países, pois não é interessante, economicamente, a manutenção de linhas de produção de artigos diferenciados de acordo com os países que os vão receber.
Outro efeito positivo da globalização sobre o meio ambiente é a criação de uma indústria e de um mercado ligados à proteção e recuperação ambiental.
Nesta lista incluem-se equipamentos de controle da poluição, sistemas de coleta, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos e líquidos, inclusive lixo e esgoto urbanos, e novas técnicas de produção. São setores que movimentam fortes interesses econômicos, os quais acabam por influenciar os poderes públicos para que as leis ambientais sejam mais exigentes e haja instituições mais eficientes para torná-las efetivas.
Rafael Dall’Agnol, Dr.
1. Introdução
“As manifestações bem sucedidas não são necessariamente as que mobilizam o maior numero de pessoas, mas as que atraem maior interesse entre os jornalistas. Exagerando apenas um pouco, poder-se-ia dizer que cinqüenta sujeitos inteligentes que conseguem obter cinco minutos na TV para um happening bem sucedido podem produzir um efeito político comparável ao de meio milhão de manifestantes”.
(Barnet, 1981)
Pode-se dizer que a mundialização do nosso planeta é a sua globalização em sentido mais amplo, cujos reflexos se fazem sentir nos aspectos mais diversos de nossa vida.
O mundo cada vez mais está se tornando um todo, a informação circula on line pelo mundo, aliás, tudo circula quase que on line pelo mundo: alimentos, roupas, automóveis, eletro-eletrônicos, pessoas...
A informação, como vê-se a seguir, nunca foi tão globalizada.
As circunstâncias atuais parecem indicar que a globalização, principalmente, da economia, com todas as suas conseqüências sociais, ambientais e culturais, é um fenômeno que, no mínimo, irá durar. O fim da bipolaridade ideológica no cenário internacional, a saturação dos mercados dos países mais ricos e a ação dos meios de comunicação, aliados a um crescente fortalecimento do poder das corporações e a inversa redução do poder estatal pelas insistentes e constantes privatizações (pelo menos nos países que não constituem potências de primeira ordem) são apenas alguns dos fatores que permitem esse prognóstico.
Está havendo claramente uma redistribuição das funções econômicas, sociais, ambientais e quiçá culturais no mundo, disseca-se no decorrer suas conseqüências.
2. A Humanidade em Produção na Era Planetária
Um mesmo produto final é feito com materiais, peças e componentes produzidos em várias partes do planeta.
Produzem-se os componentes onde os custos são mais adequados. Como a produção de componentes é feita em escala global, alimentando indústrias de montagem em várias partes do mundo, pequenas variações de custos produzem, no final, notáveis resultados financeiros, como se vê em outro tópico especial.
Tem-se ai exposto o desenvolvimento técnico-econômico que torna insustentável a vida no planeta; e na vivência da era planetária acaba por cada vez mais ressaltar os contrastes mundiais.
3. O Circuito Planetário do Conforto X O Circuito Planetário da Miséria
Nenhum homem faminto e sóbrio pode ser convencido a gastar o seu último dólar em outra coisa que não comida. Mas uma pessoa bem alimentada, bem vestida, bem abrigada e em tudo mais bem cuidada pode ser convencida a escolher entre um barbeador e uma escova de dentes elétrica.
(Galbraith, 1974)
Na aldeia global em que vivemos fica cada vez mais fácil nos comunicarmos e nos conectarmos com o mundo, o telefone celular está em todas as esquinas, os Satélites estão no espaço, TV a cabo, Internet, Internet 2, etc; tudo isso coloca um fim as distâncias e acaba por aproximar e unir as pessoas; certo ?
Não, errado !
Toda esta modernidade e tecnologia acaba por afastar as pessoas cada vez mais, afasta definitivamente as classes sociais.
Vamos pegar dois meninos de idades escolares idênticas, o primeiro morador de uma próspera cidade do interior da Inglaterra, e o segundo filho de bóias-frias do interior do Ceará, no Brasil.
O primeiro após a sua jornada escolar vai para a sua casa e senta-se em frente de seu Pentium 900, 128 Mb, Internet, DVD, o “escambau” e começa a fazer seu dever de casa com o auxílio da tecnologia MMX; já nosso segundo personagem quanto chega ao rancho de sua família, feito de modo sofrido, de paredes de barro e chão batido, pega a lamparina a querosene (eletricidade nem pensar: “é coisa de primeiro mundo”, lhe disse o seu pai) e a sua velha cartilha escolar, que outrora já havia pertencido ao seu irmão mais velho (que por sua vez já abandonou a escola) e agora dedica o resto de suas forças de seu corpo desnutrido para realizar seu “dever” escolar.
Mas agora me responda: qual dos dois meninos pensa mais? Qual dará maior valor ao fato de já saber escrever a graça que lhe deram?
A mundialização por muitas vezes torna árduo o caminho à sabedoria.
Não há tempo para estudar, a cana e o sisal esperam o nosso menino do “terceiro mundo”, a fome está o tempo todo ao lado, o trabalho é mais importante neste instante para se sobreviver; afinal de contas temos que alimentar e vestir o “menino Europeu”.
Vemos então que a tecnologia que falamos anteriormente é concentrada em uma minoria que possui estudo e capital. O capital sempre será bem empregado, colaborando com a cavalgada cada vez mais incontrolável do capitalismo.
O pobre e o miserável podem ver tudo, mas não irão entender nada, pois a eles só restou a luta pela sobrevivência no cenário uno que se encaminha nossa Terra, estão carentes de “educação”.
Acaba a realidade da Aldeia global sendo uma ilusão de uma minoria comodista que não se preocupa com as desigualdades sociais.
Social é a união de classes, mas o que fazer quando as próprias classes se acomodam ao ponto de ficarem passivas atrás das telas dos televisores e dos computadores?
3. E o Século XX...
3.1 A evolução para a morte e a morte ecológica pela evolução:
(Informação globalizada?)
A economia de guerra proporciona abrigos confortáveis para dezenas de milhares de burocratas com e sem uniforme militar que vão para o escritório todo dia construir armas nucleares ou planejar um 0guerra nuclear, milhões de trabalhadores cujo emprego depende do sistema de trerrorismo nuclear; cientistas e engenheiros contratados para buscar aqula “inovação tecnológica” final que pode oferecer segurança total; fornecedores que não querem abrir mão lucros fáceis; intelectuais guerreiros que vendem ameaças e bendizem guerras. (Barnet, 1981) .
Para renomado historiador Eric Hobsbawm nosso universo nasceu há 15 bilhões de anos, numa maciça superexplosão, e, segundo as especulações cosmológicas pode acabar de maneira igualmente dramática.
Ao longo do século XX, a globalização do capital foi conduzindo à globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo.
Isso deveu-se não apenas ao progresso tecnológico, intrínseco à Revolução Industrial, mas - e sobretudo - ao imperativo dos negócios. A tremenda crise de 1929 teve tamanha amplitude justamente por ser resultado de um mundo globalizado, ou seja, ocidentalizado, face à expansão do Capitalismo.
E o papel da informação mundializada foi decisivo na mundialização do pânico.
Ao entrarmos nos anos 80/90, o Capitalismo, definitivamente hegemônico com a ruína do chamado Socialismo Real, ingressou na etapa de sua total euforia triunfalista, sob o rótulo de Neo-Liberalismo. Tais são os nossos tempos de palavras perfumadas: reengenharia, privatização, economia de mercado, modernidade e - metáfora do imperialismo - globalização. A classe trabalhadora, debilitada por causa do desemprego, resultante do maciço investimento tecnológico, ou está jogada no desamparo , ou foi absorvida pelo setor de serviços, uma economia fluida e que não permite a formação de uma consciência de classe. O desemprego e o sucateamento das conquistas sociais de outros tempos, duramente obtidas, geram a insegurança coletiva com todas as suas mazelas, em particular, o sentimento de impotência, a violência, a tribalização e as alienações de fundo místico ou similares. No momento presente, inexistem abordagens racionais e projetos alternativos para as misérias sociais, o que alimenta irracionalismos à solta.
A informação mundializada de nossos dias não é exatamente troca: é a sutil imposição da hegemonia ideológica das elites.
Cria a aparência de semelhança num mundo heterogêneo - em qualquer lugar, vemos o mesmo McDonald`s, o mesmo Ford Motors, a mesma Mitsubishi, a mesma Shell, a mesma Siemens. A mesma informação para fabricar os mesmos informados. Massificação da informação na era do consumo seletivo.
Via informação, as elites (por que não dizer: classes dominantes?) controlam os negócios, fixam regras civilizadas para suas competições e concorrências e vendem a imagem de um mundo anti-séptico, eficiente e envernizado.
A alta tecnologia, que deveria servir à felicidade coletiva, está servindo a exclusão da maioria. Assim, não adianta muito exaltar as conquistas tecnológicas crescentes - importa questionar a que - e a quem - elas servem. A informação global é a manipulação da informação para servir aos que controlam a economia global. E controle é dominação. Paralelamente à exclusão social, temos o individualismo narcisístico, a ideologia da humanidade descartável, o que favorece a cultura do efêmero, do transitório - da moda. De resto, se o trabalho foi tornado desimportante no imaginário social, ofuscado pelo brilho da tecnologia e das propagandas que escondem o trabalho social detrás de um produto lustroso, pronto para ser consumido, nada mais lógico que desvalorizar o trabalhador - e, por extensão, a própria condição humana. Ou será possível desligar trabalho e humanidade?
É a serviço do interesse de minorias que está a globalização da informação. Ela difunde modas e beneficia o consumo rápido do descartável - e o modismo frenético e desenfreado é imperativo às grandes empresas.
4. A Globalização e o Meio Ambiente na Era Planetária
“Haverá escassez de viveres”
(Mateus, 24:7)
Os impactos da globalização sobre o meio ambiente decorrem principalmente de seus efeitos sobre os sistemas produtivos e sobre os hábitos de consumo das populações.
O meio ambiente, em todos os seus componentes, tem sido e continuará cada vez mais sendo afetado pelo processo de globalização.
Os fatores que implicam os custos de produção incluem as exigências ambientais do país em que está instalada a fábrica. Este fato tem provocado em muitos casos um processo de "migração" industrial. Indústrias são rapidamente montadas em locais onde fatores como disponibilidade de mão-de-obra, salários, impostos, facilidades de transporte e exigências ambientais, entre outros, permitem a otimização de custos
Outro fator que tem exercido pressão negativa sobre o meio ambiente e que tem crescido com a globalização é o comércio internacional de produtos naturais, como madeiras nobres e derivados de animais. Este comércio tem provocado sérios danos ao meio ambiente e colocado em risco a preservação de ecossistemas inteiros.
A existência de um mercado de dimensões globais, com poder aquisitivo elevado e gostos sofisticados, é responsável por boa parte do avanço da devastação das florestas tropicais e equatoriais na Malásia, Indonésia, África e, mais recentemente, na América do Sul.
A tradicional medicina chinesa, em cuja clientela se incluem ricos de todo o mundo, estimula a caça de exemplares remanescentes de tigres, rinocerontes e outros animais em vias de extinção. Mercados globalizados facilitam o trânsito dessas mercadorias, cujos altos preços estimulam populações tradicionais a cometerem, inocentemente, crimes contra a natureza.
Na agricultura e na pecuária, a facilidade de importação e exportação pode levar ao uso, em países com legislação ambiental pouco restritiva ou fiscalização deficiente, de produtos químicos e técnicas lesivas ao meio ambiente, mas que proporcionam elevada produtividade a custos baixos. É o caso, por exemplo, de determinados agrotóxicos que, mesmo retirados de uso em países mais desenvolvidos, continuam a ser utilizados em países onde não existem sistemas eficientes de registro e controle. Os produtos agrícolas e pecuários fabricados graças a esses insumos irão concorrer deslealmente com a produção de outros países.
4.1 Mas nem tudo é negativo para o Meio Ambiente na Era Planetária
Mas a globalização oferece também perspectivas positivas para o meio ambiente. Até pouco tempo era comum a manutenção, até por empresas multinacionais, de tecnologias ultrapassadas em países mais pobres e com consumidores menos exigentes.
A escala global de produção tem tornado desinteressante, sob o ponto de vista econômico, esta prática. É o caso, por exemplo, dos automóveis brasileiros. Enquanto a injeção eletrônica era equipamento comum na maior parte do mundo, por aqui fabricavam-se motores carburados, de baixa eficiência e com elevados índices de emissão de poluentes. Com a abertura do mercado brasileiro aos automóveis importados, ocorrida no início desta década, a indústria automobilística aqui instalada teve que se mover. Rapidamente, passou-se a utilizar os mesmos motores e os mesmos modelos de carrocerias usadas nos países de origem das montadoras. É claro que isto causou impacto sobre a indústria nacional de autopeças, pois uma grande quantidade de componentes, principalmente os mais ligados à eletrônica, passaram a ser importados, o que antes não era possível, dado o caráter fechado que até então dominava o nosso mercado interno.
Os efeitos sobre a emissão de poluentes dos veículos foi notável. Os efeitos não são ainda notados na qualidade do ar das grandes cidades, porque a maior parte da frota de veículos em circulação é antiga, com sistemas precários de regulagem de motores.
O mesmo efeito sentido na indústria automobilística estende-se a uma gama de outros produtos, como os eletrodomésticos. A globalização da produção industrial está levando à rápida substituição do CFC, em refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, por gases que não afetam a camada de ozônio. Isto está ocorrendo em todos os países, pois não é interessante, economicamente, a manutenção de linhas de produção de artigos diferenciados de acordo com os países que os vão receber.
Outro efeito positivo da globalização sobre o meio ambiente é a criação de uma indústria e de um mercado ligados à proteção e recuperação ambiental.
Nesta lista incluem-se equipamentos de controle da poluição, sistemas de coleta, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos e líquidos, inclusive lixo e esgoto urbanos, e novas técnicas de produção. São setores que movimentam fortes interesses econômicos, os quais acabam por influenciar os poderes públicos para que as leis ambientais sejam mais exigentes e haja instituições mais eficientes para torná-las efetivas.

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