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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

OS SETE SABERES NECESSARIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO

Os sete saberes necessários à educação não são um programa educativo e não devem ser concentrados apenas em uma etapa de ensino. Eles são essenciais na formação de indivíduos que busquem realizar a cidadania terrena.

O primeiro saber é o conhecimento. É verdade que o ensino fornece conhecimento, mas não se ensina, de fato, o que é o conhecimento. Não se ensina a conhecer. A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja ameaçado pelo erro e pela ilusão. A palavra conhecimento é fruto de uma tradução e de uma reconstrução que se faz através da linguagem e do pensamento. É uma percepção que fazemos sobre determinado aspecto. Dessa forma, o risco de erro é enorme, pois nossa percepção pode ser alterada por alguma perturbação. Nossas emoções podem interferir na maneira como encaramos uma mensagem. Elas podem nos cegar (ou iludir) e, ao mesmo tempo, fortalecer nossa capacidade de raciocínio. Cabe à educação o estudo sobre a origem dos erros, das ilusões e das cegueiras.
Morin classifica os erros em mentais, intelectuais e da razão. Os erros são mentais a medida que nenhum dispositivo cerebral permite distinguir alucinação de percepção, o sonho da vigília, o imaginário do real, o subjetivo do objetivo. Eles também são intelectuais, pois os sistemas de idéias (teorias, doutrinas, ideologias) não apenas estão sujeitas ao erro, como protegem os erros possivelmente contidos em seu contexto. E podem ser da razão quando racionalidade e racionalização se confundem, sendo que a racionalidade é a melhor proteção contra o erro e a ilusão enquanto a racionalização já é uma ilusão.
Conhecimento pertinente seria aquele que não mutila o seu objeto. É aquele que está inserido em um contexto e que é global. A sofisticação e a quantidade das informações são menos importantes do que a contextualização desse conhecimento.
O ensino deve estimular a ligação entre as partes e o todo, entre o todo e as partes, ou seja, entre a sociedade e a pessoa e entre a pessoa e a sociedade. Ele deve ser global. Deve reconhecer o caráter multidimensional e complexo do indivíduo (social, psíquico, racional, biológico, etc) e da sociedade (econômica, sociológica, religiosa, etc).
A educação deve promover a inteligência geral (do complexo e do multidimensional), deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência. Para isso, ela precisa superar as contradições do sistema de ensino que separa as ciências em disciplinas hiperespecializadas e fechadas em si mesmo. Contradições que fazem com que os indivíduos percam suas aptidões naturais de contextualizar os saberes.
A divisão em disciplinas impede o aprendizado do complexo – reduzindo-o ao simples –, do global – que é divido em fragmentos disjuntos –, do essencial – que não é percebido, mas dissolvido nas outras informações. É uma inteligência cega, que limita as possibilidades de compreensão e reflexão e reduz a subjetividade.
Precisamos aprender a juntar a parte e o todo, o texto e seu contexto, o individual e o planetário. Os educadores e educadoras devem enxergar a importância da educação nos desafios dos tempos atuais e, assim, trabalhar a construção do conhecimento, fazendo uma contextualização geral e específica sobre os assuntos que irá ministrar, sempre considerando o risco do erro. Eles e elas devem se perceber como sujeitos da educação, assim como seus alunos. Devem contribuir para a realização da cidadania terrena, pela qual os indivíduos – sujeitos da educação – se vêem como parte do planeta e responsáveis por ele.

Simone Caetano Silva


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