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domingo, 6 de dezembro de 2009

A Carta da Terra




             A Carta da Terra é fruto de um diálogo mundial, de uma década, entre várias culturas,sobre objetivos em comum e valores compartilhados. Ela foi delineada por uma iniciativa da sociedade civil e lançada em 2000. A missão da Iniciativa da Carta da Terra é promover a transição para estilos de vida sustentáveis e de uma sociedade global fundamentada em um modelo de ética compartilhada, que inclui o respeito e o cuidado pela comunidade da vida, a integridade ecológica, a democracia e uma cultura de paz.          
            Este Guia é direcionado a todos os educadores que se interessam em desenvolver sistemas e programas educacionais que preparam jovens e adultos para um modo de vida sustentável como cidadãos locais e globais, responsáveis no século 21. Fornece informações básicas sobre como usar a Carta da Terra em experiencias educacionais. É de grande auxílio para educadores que trabalham nas áreas de educação ambiental, educação para o desenvolvimento sustentável, educação de direitos humanos, educação de ecologia humana, educação da paz, educação humanitária, educação social e áreas associadas.
            A Carta da Terra também pode ser usada para avaliar e reconstruir o currículo inteiro e as práticas de gestão de uma instituição educacional com o objetivo de assegurar que a instituição esteja fazendo tudo que pode para preparar os alunos para os grandes desafios de nossos tempos. A segunda parte deste guia descreve, em linhas gerais, a educação para formas de vida sustentáveis e a importância da Carta da Terra como um recurso de ensino e aprendizado. A terceira parte discute o significado de ética e explica o papel importante dos valores ético na Carta da Terra. A quarta parte identifica temas principais que a Carta da Terra pode ajudar a abordar em diversos ambientes educacionais.
            A quinta parte lista vários objetivos educacionais que os professores podem considerar quando usarem a Carta da Terra. A sexta parte apresenta diretrizes para desenvolver materiais e programas educacionais baseados na Carta da Terra. O Princípio 14 da Carta da Terra enfatiza a necessidade de “integrar na educação formal e no aprendizado de uma vida inteira o conhecimento, os valores e as habilidades necessárias para se er uma forma de vida sustentável”. Desde o começo, a educação tem estado no centro do propósito da Carta da Terra e tem sido um dos principais focos dos programas desta Iniciativa. Um importante conjunto de conhecimentos vem sendo desenvolvido em torno do uso da Carta da Terra no ensino e no aprendizado. Educadores de todas as regiões do mundo têm contribuído para esse conjunto de conhecimentos, baseando-se em suas experiências práticas na aplicação da Carta da Terra em diversos ambientes educacionais. A Carta da Terra está sendo usada na educação de todas as idades e dentro de contextos formais e não-formais.
            Tem provado ser um instrumento de ensino muito valioso no campo da educação ambiental, e seus princípios estão de acordo com as primeiras definições de educação ambiental da UNESCO encontradas na Carta de Belgrado (1975) e na Declaração Tbilisi (1977). Tem sido utilizada na educação dos direitos humanos e de paz e em novos esforços educacionais, que têm como objetivo a
sustentabilidade, designada de várias maneiras, como a educação para desenvolvimento sustentável, educação para sustentabilidade e, até mesmo, educação ambiental para o desenvolvimento sustentável. Nesses diversos cenários, a Carta da Terra está contribuindo para a conceitualização crítica dos processos de educação que visam desenvolver a compreensão e promover justiça, sustentabilidade e paz.
             A Organização das Nações Unidas declarou que 2005-2014 é a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DESD), e o entendimento da ONU da Educação para Desenvolvimento Sustentável inclui questões mais amplas de justiça, sustentabilidade e paz. De acordo com o plano da UNESCO para a implementação do DESD, o objetivo principal do DESD é “integrar os valores inerentes ao
desenvolvimento sustentável em todos os aspectos do aprendizado para encorajar mudanças de comportamento que permitam uma sociedade mais sustentável e justa para todos”. Uma pergunta-chave para DESD é: quais os valores inerentes ao desenvolvimento sustentável e os princípios éticos que podem guiar maneiras sustentáveis de viver?
            A Carta da Terra reflete um consenso crescente na emergente sociedade civil global sobre valores universais para o desenvolvimento sustentável e pode-se afirmar, sem dúvida, que representa um conjunto central de princípios éticos compartilhados por uma base ampla e multicultural de apoiadores globais. Na visão holística promovida pela Carta da Terra, o desenvolvimento sustentável ou maneiras sustentáveis de vida requerem mudanças nos corações e nas mentes dos indivíduos, assim como na reorientação de políticas e práticas públicas. A educação é chave para avançar a transição para maneiras mais sustentáveis de viver porque ela pode ajudar a gerar relacionamentos mais empáticos entre os humanos e entre os humanos e o mundo natural. Pode facilitar a procura criativa de formas de desenvolvimento que sejam mais ambientalmente e socialmente responsáveis. Para que isso aconteça, é crucial promover uma educação que ajude as pessoas a entenderem as mudanças fundamentais necessárias quando se busca o desenvolvimento sustentável.

Por Vladimir Ribeiro.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Link sobre Biocombustíveis.

Pessoal, boa tarde!!!

Segue link http://www.biologo.com.br/ecologia/ecologia8.htm  com informações muito interessantes sobre Biocombustíveis e sustentabilidade.

Vale a pena conferir...

Selma Dias.

Conhecendo os idealizadores do Blog!!!!

Galera, boa tarde!!!


Segue, abaixo, as fotos dos idealizadores do blog que está demais....




Daniel


Marcela



Michelle


Simone









Selma


Vladimir 




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Milton Dos Santos







Biografia



                         O Prof. Dr. Milton Santos (Milton de Almeida Santos ou Milton Almeida dos Santos), nasceu em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, no dia 03 de Maio de 1926. Geógrafo e livre pensador brasileiro, homem amoroso, afável, fino, discreto e combativo, dizia que a maior coragem, nos dias atuais, é pensar, coragem que sempre teve. Doutor honoris causa em vários países, ganhador do prêmio Vautrin Lud, em 1994 ( o prêmio Nobel da geografia), professor em diversos países (em função do exílio político causado pela ditadura de 1964), autor de cerca de 40 livros e membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, entre outros. O Prof. Milton Santos formou-se em Direito no ano de 1948, pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), foi professor em Ilhéus e Salvador, autor de livros, que surpreenderam os geógrafos brasileiros e de todo o mundo, pela originalidade e audácia: "O Povoamento da Bahia" (48), "O Futuro da Geografia" (53), "Zona do Cacau" (55) entre muitos outros. Em 1958, já voltava da Universidade de Estrasburgo, da França, com o doutorado em Geografia, trabalhou no jornal "A Tarde" e na CPE (Comissão de Planejamento Econômico-BA), precursora da Sudene, foi preso em 1964 e exilado.Passou o período entre 1964 a 1977 ensinando na França, Estados Unidos, Canadá, Peru, Venezuela, Tânzania; escrevendo e lutando por suas idéias. Foi o único brasileiro e receber um "prêmio Nobel", o Vautrin Lud, que é como um Nobel de Geografia. Outras de suas magistrais obras são: "Por Uma Outra Globalização" e "Território e Sociedade no Século XXI" (editora Record) .


Milton Santos, este grande brasileiro, morreu em São Paulo-SP, no dia 24 de Junho de 2001, aos 75 anos, vítima de câncer.


Edgar Morin


                

                                Biografia

 

              Nascido em Paris, filho único de uma família judia sefardi, seu pai, Vidal Nahoum, era um comerciante originário de Salônica. Sua mãe, Luna Beressi, faleceu quando ele tinha 10 anos. Ateu declarado, descreve-se como um neo-marrano). Estudou direito, história, filosofia, sociologia e economia. Em 1942, obteve a licenciatura em direito e em história e geografia. Em 1941, adere ao Partido Comunista, «num momento em que se sentia, pela primeira vez, que uma força poderia resistir à Alemanha nazista».
Entre 1942 e 1944, participou da Resistência, como tenente das forças combatentes francesas, adotando o codinome Morin, que conservaria dali em diante. Durante a Liberação, é transferido para a Alemanha ocupada, como adido ao Estado Maior do Primeiro Exército Francês na Alemanha, em 1945, e, em 1946, como chefe do departamento de propaganda do governo militar francês. Nessa época, escreve seu primeiro livro, L'An zéro de l’Allemagne ("O Ano Zero na Alemanha"), publicado em 1946, no qual descreve a situação do povo alemão no pós-guerra. O livro foi muito apreciado por Maurice Thorez, que o convida a escrever para a revista Lettres françaises. A partir de 1949, distancia-se do Partido Comunista, do qual será excluído em 1951, por suas posições antistalinistas. Aconselhado por Georges Friedmann, que conheceu durante a ocupação alemã, e com o apoio de Maurice Merleau-Ponty, de Vladimir Jankélévitch e de Pierre George, entra para o CNRS em 1950. Começa a escrever L'Homme et la Mort ("O Homem e a Morte"), lançado em 1951. Em 1955, coordena um comitê contra a guerra da Argélia e defende particularmente Messali Hadj, pioneiro da luta anticolonial e um dos próceres da independência da Argélia.
Em 1960, funda, na École des hautes études en sciences sociales (EHESS), o Centro de estudos de comunicação de massa (CECMAS), com Georges Friedmann e Roland Barthes, com a intenção de adotar uma abordagem transdisciplinar do tema, e cria a revista Communications. Morin é também fundador da revista Arguments (1957-1963). Nomeado diretor de pesquisa do CNRS em 1970, será também, entre 1973 e 1989, um dos diretores do Centro de estudos transdisciplinares da EHESS, sucessor do CECMAS.
É considerado um dos principais pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos da complexidade.

OS SETE SABERES NECESSARIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO

Os sete saberes necessários à educação não são um programa educativo e não devem ser concentrados apenas em uma etapa de ensino. Eles são essenciais na formação de indivíduos que busquem realizar a cidadania terrena.

O primeiro saber é o conhecimento. É verdade que o ensino fornece conhecimento, mas não se ensina, de fato, o que é o conhecimento. Não se ensina a conhecer. A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja ameaçado pelo erro e pela ilusão. A palavra conhecimento é fruto de uma tradução e de uma reconstrução que se faz através da linguagem e do pensamento. É uma percepção que fazemos sobre determinado aspecto. Dessa forma, o risco de erro é enorme, pois nossa percepção pode ser alterada por alguma perturbação. Nossas emoções podem interferir na maneira como encaramos uma mensagem. Elas podem nos cegar (ou iludir) e, ao mesmo tempo, fortalecer nossa capacidade de raciocínio. Cabe à educação o estudo sobre a origem dos erros, das ilusões e das cegueiras.
Morin classifica os erros em mentais, intelectuais e da razão. Os erros são mentais a medida que nenhum dispositivo cerebral permite distinguir alucinação de percepção, o sonho da vigília, o imaginário do real, o subjetivo do objetivo. Eles também são intelectuais, pois os sistemas de idéias (teorias, doutrinas, ideologias) não apenas estão sujeitas ao erro, como protegem os erros possivelmente contidos em seu contexto. E podem ser da razão quando racionalidade e racionalização se confundem, sendo que a racionalidade é a melhor proteção contra o erro e a ilusão enquanto a racionalização já é uma ilusão.
Conhecimento pertinente seria aquele que não mutila o seu objeto. É aquele que está inserido em um contexto e que é global. A sofisticação e a quantidade das informações são menos importantes do que a contextualização desse conhecimento.
O ensino deve estimular a ligação entre as partes e o todo, entre o todo e as partes, ou seja, entre a sociedade e a pessoa e entre a pessoa e a sociedade. Ele deve ser global. Deve reconhecer o caráter multidimensional e complexo do indivíduo (social, psíquico, racional, biológico, etc) e da sociedade (econômica, sociológica, religiosa, etc).
A educação deve promover a inteligência geral (do complexo e do multidimensional), deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência. Para isso, ela precisa superar as contradições do sistema de ensino que separa as ciências em disciplinas hiperespecializadas e fechadas em si mesmo. Contradições que fazem com que os indivíduos percam suas aptidões naturais de contextualizar os saberes.
A divisão em disciplinas impede o aprendizado do complexo – reduzindo-o ao simples –, do global – que é divido em fragmentos disjuntos –, do essencial – que não é percebido, mas dissolvido nas outras informações. É uma inteligência cega, que limita as possibilidades de compreensão e reflexão e reduz a subjetividade.
Precisamos aprender a juntar a parte e o todo, o texto e seu contexto, o individual e o planetário. Os educadores e educadoras devem enxergar a importância da educação nos desafios dos tempos atuais e, assim, trabalhar a construção do conhecimento, fazendo uma contextualização geral e específica sobre os assuntos que irá ministrar, sempre considerando o risco do erro. Eles e elas devem se perceber como sujeitos da educação, assim como seus alunos. Devem contribuir para a realização da cidadania terrena, pela qual os indivíduos – sujeitos da educação – se vêem como parte do planeta e responsáveis por ele.

Simone Caetano Silva


POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO


No livro “Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal”, Milton Santos aborda a questão da globalização como sendo três mundos distintos: o primeiro seria aquele que o capitalismo quer que vejamos; o segundo seria o mundo tal como ele é; e o terceiro seria o mundo como ele pode ser. Adiante, faço uma breve resenha crítica dessas três distinções e apresento o caminho, segundo o autor, para superação da globalização capitalista.

A globalização como fábula seria aquela difundida pelo capitalismo, pela qual o mundo está ao alcance de todos: difusão instantânea de notícias, noção de tempo e espaço contraídos e enfraquecimento do Estado. Por essa idéia, o consumo é estimulado e o mercado é dito como global e capaz de homogeneizar o planeta. É o mundo a um passo de uma cidadania universal. Na verdade, quando se fala em difuão istantânea de notícias, pensa-se que, desta forma, as pessoas são informadas dos acontecimentos. Entretanto, ignora-se o fato de que muitas das notícias divulgadas possuem um conteúdo manipulado em favor do capitalismo, do consumo. O mesmo acontece quando acreditamos que o mercado global seja capaz de homogeneizar o planeta. Pelo contrário, ele acentua as diferenças, uma vez que coloca preço em tudo e só quem tem dinheiro pode comprar. Dessa forma, o mundo vai se afastando cada vez mais da uniformidade, fazendo com que o sonho de uma cidadania universal fique cada vez mais longe.
A globalização como perversidade é aquela em que as mazelas do mundo são reconhecidas: aumento do desemprego, aumento da probreza e diminuição da qualidade de vida, aparecimento de doenças, mortalidade infantil, baixo acesso à uma educação de qualidade, corrupção, etc. É como se um problema fosse gerando o outro. Nem o avanço da medicina é capaz de evitar mortes por doenças supostamente extirpadas. As pesquisas em educação não são suficientes para universalizar um ensino-aprendizagem de qualidade. A corupção barra as ações de melhora da sociedade. Essa evolução negativa da sociedade esta diretamente ligada aos processos de globalização que, ao buscar uma homogeneização do planeta – capitalismo -, acaba por estimular comportamentos competitivos que, ressalto, afasta o mundo da uniformidade e da cidadania universal.
Quando falamos em “outra globalização” estamos nos referindo a construção de uma globalização mais humana. Para isso é preciso utilizar as bases materais do capitalismo – unicidade da técnica, convergência dos momentos e conhecimento do planeta, por exemplo – em favor de fundamentos sociais e políticos que visem a construção de uma nova história para o mundo.
Nessa perspectiva, seria papel dos intelectuais combater a alienação e, assim, levar a reflexão da sociedade em geral – sua historia, seus anseios –, em busca de uma política condizente com seu interesse social. Entretanto, o processo de tomada de consciência é diferente em cada indivíduo. É preciso enxergar as situações como um conjunto, a interdependência das causas e efeitos. A partir daí é que o sujeito percebe que tudo depende do mundo. Surge, então, a visão critica da história na qual vivemos, com apreciação filosófica da situação individual diante da comunidade, da nação e do planeta, bem como uma descoberta do seu papel como cidadão.
Essa mudança, quando feita em grande parte da população, permitirá a realização de uma vida coletiva solidária e abrangente, pela qual se valorizará o planeta como um todo. Essa valorização só vai ser possível com implantação de um novo modelo econômico, social e político conseguido por uma nova distribuição dos bens e dos serviços.
A globalização é um processo irreversivel da humanidade. Entretanto, a globalização de hoje não é a desejada. E para mudá-la, para se construir um novo mundo, é preciso uma mobilização que vai de baixo para cima, que parta de cada indivíduo até alcançar toda a sociedade – ou pelo menos grande parte dela.
O próprio titulo da obra, “Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal”, já nos mostra o caminho para superar a globalização capitalista. Cabe a nós, futuros educadores, sermos educadores da desalienação para que possamos despertar em nossos alunos uma consciência abrangente, que o instigue a investigar o seu papel como cidadão não só em seu bairro, mas em todo o planeta. É preciso que os professores tenham esperança na melhora e creiam que o seu bom trabalho pode contribuir para a formação de um sentimento de mudança em cada um que passar por sua sala de aula.

Marcela Oliveira Lana